No outro dia deambulei um pouco pela cidade de Portimão. Mais animada do que o costume, que esse já se vem caracterizando pela cinzentez, das pessoas, da oferta comercial, dos edificios em construção parada, dos edificios em ruína iminente. A estas caracteristicas não é estranho o desmazelo em que Portimão se tornou. Mas voltemos ao dia da minha deambulação.
Os barcos de cruzeiro continuam a chegar à cidade; os turistas continuam a chegar à cidade; os turistas desembarcam, espalham-se pelas ruas e é vê-los de mapa na mão, qual busca do tesouro perdido.
Mas ... o que é que há na cidade que seja digno da atenção dos turistas? O comércio, talvez? Os magnificos espaços verdes, bem arranjados e convidativos? O carácter convidativo da cidade? A simpatia das pessoas?
Não, nada disso! Nada na cidade é digno da atenção dos turistas. O comércio está morto, de morte matada. Agradeçam ao actual e não se sabe por quanto tempo, presidente Manuel da Luz que vendeu a alma aos grandes espaços que secam tudo em seu redor.O comércio local, dirigido por néscios sem visão, apparatchiks disfarçados, anda alheado e não soube aproveitar este momento que lhe está a ser dado; não existem espaços verdes, muito menos convidativos; a cidade de Portimão é feia e, neste momento, suja.
O que vai acontecer aos turistas é que vão dar o seu tempo como perdido. Desembarcam com expectativas e partem com a frustação de que aqui nada há de novo. E não há.
Em Portimão há um conjunto de factores que podem ser factores de desenvolvimento. O porto para barcos de cruzeiro, o museu da cidade, o Tempo. Mas, ao mesmo tempo temos uma cidade desorganizada e suja, temos o centro tomado por drogados, temos um trânsito caótico e preços nos parques pagos que são exorbitantes; temos um gimnodesprtivos que já foi e já não é e não se sabe quando será de novo.
Acham que alguém, daqueles que desembarcam dos cruzeiros, e que visita Portimão quer cá voltar? Eu acho que não. Todo o colorido da cidade se perdeu, todo o pitoresco se perdeu. Não há qualquer factor distintivo que torne a cidade apetecível para os turistas e porque não dizê-lo, para os que cá vivem.
Estamos condenados ao turismo de praia, que quando chegam se enfia na praia, depois num AP na Rocha, ele e mais uns quantos, e depois novamente na praia, depois vão apanhar bezanas para um bar da Rocha, antes, um jantar baratinho, depois é dormir até ao meio dia, depois praia e volta a repetir-se o ciclo.
Este é claramente o turismo feito à media da cambada que nos governa e que define os destinos da cidade.