Um dos problemas do Mundo é a falta de criatividade. Tudo à nossa volta está construído para nos destruir a criatividade e nos tornar autómatos.
Há que contrariar esta tendência e a primeira forma de o fazer é perceber as funções de cada um dos hemisférios do nosso cérebro. O esquerdo é responsável pelas palavras, pela lógica, pelos números, pela ordem, pela linearidade, pela análise e pelos registos; o direito é responsável pelo ritmo, pela localização espacial, pela dimensão, pela imaginação, pela fantasia, pela côr e pela sensibilidade ao sagrado.
Para se ser verdadeiramente criativo é necessário fazer uso do cérebro como um todo, o que significa usar indistintamente a sua parte direita e esquerda. Vejamos um exemplo.
Beethoven era tido como um espirito perturbado, curioso e apaixonado; uma criatura desejosa de libertação da tirania e da censura; em constante luta pela liberdade de expressão artística. Beethoven é tido como o típico exemplo de génio, rebelde e indomado.
Todas estas características, verdadeiras, por sinal, são o exemplo tradicional de um hemisfério cerebral direito altamente desenvolvido. Contudo, o que escapou à maioria dos observadores é que Beethoven tem um hemisfério esquerdo, igualmente desenvolvido.
Beethoven era musico e a musica é escrita em linhas e em sequências. A musica tem uma lógica própria; está baseada em números. Não é por acaso que se diz que a musica é a mais pura da matemática. Aliás muitos dos grandes matemáticos tinham como principal passatempo a musica.
Beethoven era apaixonadamente imaginativo e ritmico. Mas também era altamente meticuloso. Foi ele o pioneiro do uso do metrónomo dizendo que este era uma dádiva de Deus, uma vez que ele era a forma de todos os musicos e maestros tocarem a sua musica com o ritmo adequado e com a acentuação exacta e com o tempo matemático exacto.
Tal como Einstein, Beethoben não tinha, nem primazia do hemisfério cerebral esquerdo, nem do direito. Ele fazia uso do seu cérebro como um todo.
Durante algum tempo as actividades relacionadas com a parte esquerda do cérebro eram identificadas como actividades masculinas e a actividades criativas e emocionais eram conotadas como actividades femininas, ligadas à parte direita do cérebro.
Este tipo de pensamento, para além de errado é perigoso, porque generaliza idéias como:
- nos negócios só pode existir ordem;
- os homens são indivíduos lógicos, racionais e sem emoção, fechados à imaginação e à cor;
- as mulheres são sonhadoras e irracionais
Este tipo de pensamento, pode não parecer, mas ainda hoje impera no nosso sistema educativo. Vejam este caso como exemplo. Assumimos que a educação tem que desenvolver a parte esquerda do cérebro e nessa medida, sempre que aparece uma criança enérgica, imaginativa, viva e curiosa, dada a devaneios excessivos, é logo rotulada como traquinas, indisciplinada, hiperactiva, fraca ou timida. Ao invés devíamos classificá-los como potenciais génios à espera de explorar todo o seu potencial.
No sentido contrário veja-se a idéia que temos dos artistas. Que são pessoas caóticas, desleixadas, desorganizadas, com pouca propensão para o pensamento lógico e para a memória e com uma falta de capacidade organizativa. Agarrados a esta visão, muitos dos estudantes de artes desprezam as palavras, os números a lógica, a ordem e a estrutura.
A conclusão que podemos retirar por agora é a de que para conseguirmos ser criativos e usar o cérebro de forma criativa, é necessário usá-lo como um todo. Depois de conseguirmos reconhecer o erro na utilização que fazemos das nossas capacidades, chegaremos à conclusão de que o nosso potencial criativo é maior do que aquilo que se possa imaginar.