Vocês já repararam na verborréia de que padece o "nosso" Bastonário da Ordem dos Advogados? O homem fala de tudo, mesmo daquilo que desconhece mas finge conhecer. É impressionante. Talvez tiques do tempo em que era jornalista?
Correndo o risco de ser injusto, algum dos senhores que me lê, já ouviu alguém da Ordem dos Advogados tocar na problemática de como a crise que está instalada está a afetar o exercício da profissão? De como os jovens advogados e os outros, os menos jovens, estão (ou não) a enfrentar o problema? Eu não ouvi uma única palavra. O que ouvi foi o Bastonário preparar o terreno para a sua reeleição (Deus queira que tal desgraça não venha a acontecer) e falar, falar e voltar a falar, de tudo o que não interessa à classe que de classe já vai tendo pouco; de tudo o que são processos ainda em curso, e de tudo o que devia estar calado.
A última foi a que liga o Dr. João Correia, Secretário de Estado da Justiça ao Dr. Manuel Alegre e reputa aquele como um boy do PS por influência deste. Complicado? Não para Marinho Pinto que de uma acentada e sem apelo nem agravo (como faz com as assembleias gerais da Ordem), denegriu a imagem do Secretário de Estado e do Manuel Alegre, candidato presidencial. Sem um único facto, ou como se diria nas lides da advocacia, sem um único meio de prova que apoiasse a sua afirmação.
Na mesma entrevista dada ao RCP, Marinho sentenciou com proverbial sapiência a prescrição do processo Casa Pia. "Este processo tem 100 ou 200 e tal recursos interlocutórios que subirão com a sentença". Mai nada!! 100 ou 200 e tal... Gostei particularmente do ...e tal. Revela consistência, rigor, sabedoria do que se está a dizer.
Este post motivou uma pequenina pesquisa de 5 minutos e tal, cujo objecto foram as declarações de Marinho Pinto, digamos, nos últimos 4 dias e tal. Ora vejamos:
1. Marinho Pinto recusa-se a "pactuar com a bandalheira" do ensino do Direito - dia 6 de Julho à bíblia do futebol, a BOLA;
2. Ao jornal online IOL no dia 1 de Julho "Fui ingénuo na primeira parte do meu mandato porque acreditei que todos os dirigentes da Ordem respeitavam os estatutos, mas não";
3. Ao Publico no dia 1 de Julho - o jornalismo em Portugal está mercantilizado”, pois “o interesse público da notícia é muito avaliado pelo interesse económico dos proprietários dos meios de comunicação social”.
E se a nossa pesquisa prosseguisse por mais 1 minuto e tal descobriríamos muito mais material digno de registo, sempre o mesmo registo.
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