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2010-07-28

A alfarroba algarvia e as milicias populares

A noticia é esta. Leiam lá que já volto a falar convosco.

Produtores algarvios de alfarroba ameaçam com milícias armadas

"Temos uma milícia organizada e armada e batedores por toda a região com licença para matar", pode ler-se num comunicado enviado para a GNR e para a Câmara Municipal de Loulé.

O documento foi enviado em nome de uma alegada associação de produtores, não identificada, e nele as ameaças vão mais longe, estendendo-se à comunidade cigana: "Tolerância zero para quem der trabalho ou permitir acampamento a ciganos. Tolerância zero aos compradores que negoceiam com ciganos e produto roubado", ameaçam os agricultores. "Se necessário for daremos fogo às viaturas e armazéns dos infractores", avisam no comunicado anónimo.

Contactado pelo Expresso, Horácio Piedade, vice-presidente da AGRUPA, o Agrupamento de Alfarroba e Amêndoa do Algarve, apressa-se a demarcar-se da iniciativa. "Não sabemos quem enviou o comunicado, mas a AGRUPA não foi concerteza. Nós confiamos na Justiça portuguesa e acreditamos que se tratará só de uma ameaça para pressionar as forças vivas da região", afirma o também presidente da Junta de Freguesia de São Sebastião, em Loulé.

AGRUPA repudia racismo


Horácio Piedade repudia também o carácter racista do comunicado face à comunidade cigana, embora admita que há muitas queixas de produtores dirigidas especificamente contra alguns membros desta comunidade, alegadamente envolvidos nos furtos. "Mas isso é como em tudo, não podemos tomar a parte pelo todo", adianta.

Ao mesmo tempo que desvaloriza o teor ameaçador do comunicado, Horácio Piedade entende o desabafo dos produtores. "Muitas vezes os produtores já nem fazem queixa, porque estão cansados e sabem que não vai dar em nada. Nós insistimos para que façam queixa, para que fique registado, mas o que é facto é que é raro que aconteça alguma coisa e se chegar a tribunal, o que é raro, também morre ali", diz Horácio Piedade.

Jovem morto a tiro por causa das alfarrobas


Segundo a AGRUPA, no ano passado uma campanha de vigilância mais intensiva por parte da GNR pôs cobro no terreno às pilhagens, isto na mesma altura em que um jovem de 19 anos foi morto à porta da casa do avô, alegadamente por um grupo que furtava alfarrobas no terreno.

O jovem estava em casa com o avô, que se encontra acamado, quando ouviu um barulho e foi ver o que se passava. Pouco depois, foi abatido a tiro. Este ano, porém, segundo o agrupamento de produtores, os roubos têm aumentado de novo.

Contactada pelo Expresso, a GNR foi parca em comentários. "Não temos conhecimento de quaisquer milícias, mas teremos que ver os dados para verificar se têm existido queixas crime quanto a furtos de alfarrobas", adiantou fonte das relações públicas da Guarda Nacional Republicana.

Alfarroba dá dinheiro


Da associação AGRUPA fazem parte actualmente cerca de 500 produtores, que apesar de verem o preço da matéria-prima baixar de ano para ano ainda encontram na alfarroba uma das poucas formas de sustento a partir da terra.

"A arroba (15 quilos) está a quatro euros e quarenta, há três anos era a sete. É um fruto que não tem quase manutenção, é fácil de apanhar e é por isso que os agricultores ainda produzem, porque tem muitas aplicações e ainda vai dando algum dinheiro", resume Horácio Piedade.

É por isso que, embora não subscreva os métodos, Horácio Piedade compreende o sentimento dos autores da mensagem. "É a reacção de pessoas revoltadas", constata. "Milícias com licença para matar, já viu o que era?", conclui.

Já está? Ok. Então vamos lá.
O comunicado da alegada associação de produtores de alfarroba é no minimo hilariante. " ... com licença para matar". Será que li bem? Quem é que passou a licença? E quanto custa, porque eu tenho todo o interesse em tirar uma dessas para mim. Nunca se sabe quando poderá ser util.
Continua a alegada associação, inspirada na tolerância 0 de há uns anos atrás que colocou helicópteros na 125 e na Via do Infante, ameaçando tudo e todos com uma pitadinha de xenofobia, dirigida à comunidade cigana. O comunicado enviado à GNR (estes gajos têm, para além de alfarrobas, têm tomates. Enviar uma coisa destas à GNR???? Sim senhor. É digno de registo) é em si mesmo um crime, ou melhor, comporta ou poderá comportar um crime e como tal deve ser investigado. Mas não nos enganemos. Não vamos confundir a árvore com a floresta. Que há roubos, há; que os roubos são praticados por ciganos, são e que a GNR não faz nada, também é um facto.
Não vêm V.Ex.as. As pessoas estão fartas. fartas de ser espoliadas pelo Estado, fartas de ser roubadas pelos ciganos. Olham em volta e o que vêm é uma autoridade fraca, medrosa. Qual é a tendência? Isto está estudado. Quando as instituições não respondem, o poder devolve-se ao povo e o povo toma em mãos a tarefa que é ou devia ser do Estado. Isto está certo? Obviamente que não está certo. O seu a seu dono. Cada macaco no seu galho. Mas a impotência é enorme e é isto que motiva os comunicados, anónimos, por pseudo-associações que não existem, mas que são o reflexo daquilo que vai na cabeça de muita gente que pode não estar constituida em associação mas que existe . Isto não se passa só com as alfarrobas. O país está à beira da explosão social. E cá me cheira que um dia os comunicados com ameaças vão deixar de o ser, para passarem a ser concretização, pura e dura. Pode ser que depois as autoridades persigam os responsáveis.
Só mais uma coisa. A noticia que saiu no Expresso Online é maldosa. O titulo é "Produtores algarvios de alfarroba ameaçam com milícias armadas". E já está! Lá passam os produtores, todos, por milicianos e por serem adeptos da acção directa. É necessário ler a noticia TODA para ver que o pobre do Vice Presidente das Alfarrobas cá do sitio, ou melhor, o vice presidente da AGRUPA faz um esforço incrível para se demarcar de tão ignóbil iniciativa, embora em privado já tenha demostrado uma certa invejazinha pelo gajo que teve a coragem de mandar uma coisa desta para a GNR. Digo eu ...

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